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segunda-feira, 3 de setembro de 2012
he was a friend of mine
“There is a loneliness that can be rocked. Arms crossed, knees drawn up, holding, holding on, this motion, unlike a ship's, smooths and contains the rocker. It's an inside kind--wrapped tight like skin. Then there is the loneliness that roams. No rocking can hold it down. It is alive. On its own. A dry and spreading thing that makes the sound of one's own feet going seem to come from a far-off place.”
― Toni Morrison, Beloved
domingo, 19 de agosto de 2012
heart, you are my heart.
i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
E. E. Cummings, "i carry your heart with me"
on the eve of great things to happen
On the eve of great things to happen, at night, when one is overcome by the sensation that life is larger than life itself, at night, late night, there is always the feeling that the world is either going to end or the light of the day will bring one’s dreams to the realm of possibility and completion. And yet one goes to sleep to dream land and the circle comes to an end beginning again towards the end again, and that’s when the pain kicks in and the auto-da-fé takes place, witches burning and the smell of nothingness reeking through the air and up our nostrils, the day goes on unchanged and the night soon follows still tricking us into believing it will bring epiphany or liberation, while cunningly plotting its suicide over and over again, killing itself inside our skin and eyes, ending forever in a brutal cycle, the sheets smelling of sleep and sweat, and life unspoiled and intact, no debris and no comfort, on the eve of great things to happen.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
o homem sem emoções
Estávamos,
vamos imaginá-lo, num tempo sem demarcação histórica, sem presente nem passado,
do futuro sabíamos apenas a raiva que lhe tínhamos, e num espaço sem limites
físicos, sem um centro no universo. Essa era a época em que conheci o homem sem
emoções. O mundo estava organizado de forma muito errática, mais do que errada.
Do céu recebíamos o sol ou a chuva, como sempre tinha sido, mas sentíamos um
peso que nunca havíamos experimentado antes, as pessoas moviam-se lentamente,
ensimesmadas, os autocarros paravam morosos e os utentes entravam silenciosos,
o metro já não rugia nos carris e dos governos pouco se esperava a não ser um
suicídio em massa que finalmente desse o exemplo necessário. Tudo isto
funcionava, no entanto, num plano congeminante que pouco tinha que ver com a
esfera das possibilidades ou realidades.
É importante que eu vá referindo ou
vá revelando o zeitgeist de quando tudo se passou porque, repare, ainda que
seja sempre a minha própria percepção do estado das coisas, não será de todo
errado apontar para a humanidade a violência do pensamento em bando. Dito isto:
duvido que esta forma de ver não fosse semelhante a uma parte significativa da
população da altura.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
pergunta nenhuma e resposta alguma
A futilidade é uma coisa que a todos diz respeito, de uma maneira ou de outra. A futilidade do romance, a futilidade dos óculos de sol ou até mesmo do nosso dever social em constante luta com o instinto hedonista. E, ainda assim, não somos todos egoístas nem egocêntricos. Uma boa pessoa não será nunca medida pelo sorriso nem a leveza e tom da voz, mas talvez apenas e somente pela capacidade de facilitar a vida do próximo, de a tornar mais vivível e, por consequência, menos ingrata. É que, vejamos e convenhamos, não há sentido algum no caminho desde o nosso nascimento até à nossa morte, com ou sem Deus ou deuses. O absurdo da coisa é indispensável a um relativo bom viver, penso eu. E, no entanto, sozinhos que estamos até agora neste universo de magnitude incontável e inimaginável, não estamos realmente sós mas uns com os outros, ainda que com os olhos maioritariamente postos no céu. Não digo nada de novo - mas reitero aqui que a única coisa que podemos algum dia almejar e de significativo atingir é essa mesma consciência do conjunto. Porque existe o amor e porque existe o apego, e porque existe o prazer e a tristeza, existe toda uma míriade de sentimentos e acções que nos dizem respeito e devem ser respeitados.
E, no entanto, passamos por mendigos todos os dias, damos até uma moeda, mas recomeçamos a nossa marcha e a vida daquela pessoa tem de ser esquecida, e é-o, de facto. Aí está o grande mal do mundo: a incoerência e a inevitabilidade do egocentrismo, a impossibilidade de não esmagar insectos com os nossos passos. Passamos e olhamos, mesmo se agirmos estaremos em falta com muitas outras causas e pessoas, por vezes esquecemos até aqueles que nos são mais chegados em prol de uma ideia que consideramos maior e que talvez até nem o seja.
Mas, ainda assim, caminhamos porque temos de caminhar. Não podemos continuar. Continuamos. Não há nada mais que possamos fazer do que continuar. Esse é o nosso dever e é aí que devemos achar algum conforto.
E, no entanto, passamos por mendigos todos os dias, damos até uma moeda, mas recomeçamos a nossa marcha e a vida daquela pessoa tem de ser esquecida, e é-o, de facto. Aí está o grande mal do mundo: a incoerência e a inevitabilidade do egocentrismo, a impossibilidade de não esmagar insectos com os nossos passos. Passamos e olhamos, mesmo se agirmos estaremos em falta com muitas outras causas e pessoas, por vezes esquecemos até aqueles que nos são mais chegados em prol de uma ideia que consideramos maior e que talvez até nem o seja.
Mas, ainda assim, caminhamos porque temos de caminhar. Não podemos continuar. Continuamos. Não há nada mais que possamos fazer do que continuar. Esse é o nosso dever e é aí que devemos achar algum conforto.
domingo, 13 de maio de 2012
the golden years
I never thought all this could backfire. I mean, I had blown my heart out with a single shot, but the more I shook my fists at myself, the more I was convinced my heart was not to blame. Truth is I had a hurricane in me that needed release, but I did not know how or had the means to set it free - and so that hurricane stripped me bare over and over again. To love so mighty a queen took its toll on my Christ consciousness and I became a whirlwind - full of sound and fury, equipped with such a stentorian voice that my own chest could not endure its mere volume. But, alas!, all lost, all lost. I shrank into a tiny wight creature, afraid of its own reflection. I never thought all this could backfire. But at least I wear my ruins well. These are my golden years.
terça-feira, 1 de maio de 2012
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